quinta-feira, 27 de junho de 2013

Poema: Volte Aqui


POEMA: VOLTE AQUI – por Nanda Berthoud – 27/06/2013



Hei!

Você!

Por que corre tanto?

Espera-me, porque não te alcanço.

Raízes parecem surgir em meus pés.

Agarram-me, impedindo

De prosseguir em sua direção.

Obstáculos surgem,

Tropeços... quedas... chão.


Hei!

Você!

Volte aqui, estenda suas mãos.

Apieda-se de mim

Uma nova chance me conceda

Tenha compaixão.

Quero voltar ao início

Condicionar meu corpo

Não queimar a largada

Mas sair em disparado

Na corrida contra você.


Hei!

Você!

Está me escutando?

Finge que não me conhece

Nem olha para traz!

Façamos uma negociação

Não peço que pare de correr,

Mas corra em minha direção.


Hei!

Tempo!

Volte aqui

Eu peço, volte...

Eu preciso de você.

Não me diga não.

Volte aqui... Tempo... seu fujão.

terça-feira, 16 de abril de 2013




 TOMATE, ARTIGO DE LUXO NA MESA DO POVO
                                                                                                                         Fernanda Berthoud
 


         O que mais se ouviu dizer no mês de Março foi a cerca da alta do preço do tomate.
          A salada nunca foi tão cobiçada na mesa do povo brasileiro. O que antes era um acompanhamento comum para o prato de arroz e feijão, nos últimos dias se tornou tão precioso que fez mentes criativas inventar piadas exageradas, do tipo:

Por que um anel de brilhantes? Eu quero um colar de tomates!”
“Meu coração, por seus tomates”
Hello! Eu sou rica, tenho tomates na geladeira” e aí por diante.
  
           A criatividade foi grande da população em geral que decidiu encarar esse problema com humor.
        Mas por trás de toda essa brincadeira, um assunto sério rondava a política:
                                                       “A inflação de março deste ano, que chegou a 6,59% em 12 meses, acirrou o clamor especulativo pela alta nos juros. Clamor que exagera o problema representado pela alta nos   preços, que é real e  concreto, e tenta colocar uma faca na garganta das autoridades monetárias exigindo uma política econômica restritiva e conservadora, bem ao gosto dos dogmas neoliberais   ainda presentes” (DEDÉ RODRIGUES)

          Agora, no mês de Abril, o tomate vem diminuindo o seu preço, já que a população resolveu ignorá-lo ou substituí-lo, porém, para deixar o povo ainda em sentinela, outros mocinhos resolveram também se bandear para o lado vilão da história: a batata, a cebola e o pimentão.
          Bem, até no meio dos legumes tem que haver uma concorrência e uma inveja, não é?
           Por trás de uma brincadeira, sempre haverá um fundo de verdade: Fique atenta Dilma, senão seu ministério não terminará em pizza, mas sim, numa grande salada!




imagem: http://www.humortenso.axz.in/wp-content/uploads/2013/04/tomate-dilma.jpg

terça-feira, 9 de abril de 2013

Mãe - Uma receita de Deus




MÃE – UMA RECEITA DE DEUS
Por Nanda Berthoud


Em um coração de mulher
Deus derramou alguns ingredientes
Que a transformaria
Numa mulher diferente.

Derramou sonho, carinho, atenção;
Preocupação, insônia, aflição;
Zelo, sexto sentido, oração;
E com uma generosa porção de amor
Deus misturou tudo neste coração,
E depois de tudo muito bem misturado
O coração antes vazio
Foi transformado:
Agora essa mulher se tornara MÃE.

Mesmo gerando no ventre
Ou no lado esquerdo do peito
Não importando a situação
Mãe é aquela que tem esses ingredientes
Transbordando em seu coração.

Procurando uma rima para essa palavra
No dicionário não foi encontrada
MÃE, palavra única
Esplendida e amada
Uma receita que Deus deixou para tornar
A mulher ainda mais abençoada.

quinta-feira, 4 de abril de 2013



O Ser Bicho
 por Nanda Berthoud



Prefiro o amor do bicho do que de gente...

Gente, mente
Fere, engana
O bicho agradece,
entende, ama
Sem precisar falar
Nem precisar escrever
Só no olhar, apenas no olhar
Já dá pra se ver
O quão sincero é o seu amor
por mim ou por você.

Prefiro o amor do bicho, do que de muita gente!

terça-feira, 19 de março de 2013

O Amor em suas mãos


Uma singela homenagem à minha cunhada Lainy Berthoud, 
por ser uma artesã incrível.. 


O AMOR EM SUAS MÃOS
por Fernanda Berthoud

Mãos que expressam amor...
Mãos que transpiram amor...
Mãos que desenham amor...
Sim, o amor está em suas mãos!
Suas mãos...
Mãos abençoadas
Que num simples toque 
Transforma em lindo, o que antes não era nada.
Suas mãos
Delicadas, ágeis, mágicas
Revelam a poesia de sentimentos 
Não com palavras, 
Mas em fitas, tintas, tecidos, aviamentos...
Suas mãos
Que tem o amor como a sua marca,
E hoje, no dia da Artesã, com palavras (que é o meu dom)
Quero te felicitar e parabenizar 
Por tantos trabalhos lindos que você tem feito e muitos que ainda fará.
Cada trabalho realizado
É um coração preenchido de alegria
Daquele que recebe e daquele dá
Mas muito mais, do seu coração querida
que consegue suspirar por mais um trabalho finalizado
e por outro que iniciará.

quinta-feira, 14 de março de 2013

SER POETA



À AQUELES QUE FAZEM POESIAS, 
UMA SINGELA HOMENAGEM NO DIA DA POESIA.



SER POETA


por Fernanda Berthoud 



Dê uma folha em branco a um poeta
Ele verá maravilhas em sua frente.
Ele desenhará palavras...
Rimadas ou não.
Indecifráveis, enigmáticas, simples, delicadas
Escritas por seu coração.


E então surgirá uma poesia, 
Emoções escritas em versos
Relatos de uma alegria
Ou tristezas de todo Universo.


Ser Poeta; 
Ser Humano; 
Ser Apaixonado;
Ser Solitário;
Ser Feliz;
Ser Triste;


Ser... existir... se identificar em qualquer um desses estados, 
(ou em todos ao mesmo tempo)
Brincar com as palavras, como uma criança brinca com seus brinquedos.
Desprendidos dos olhares de outrem, das críticas de outrem,
O Ser Poeta desenha sentimentos em palavras, como ninguém.

terça-feira, 12 de março de 2013


PEDRAS
por Fernanda Berthoud

Pedras no caminho não me faltaram.
Algumas eu chutei;
Outras eu ajuntei pra brincar de Cinco Marias;
As maiorzinhas usei para descansar,
e aquelas que eu não consegui remover do meu caminho,
Deus as transportou para outro lugar.

Mesmo encontrando palavras de desânimo,
Mesmo encontrando caras de pouco caso,
Mesmo encontrando ombros que se erguiam desdenhando meus sonhos,
Aos poucos venho alcançando tudo que um dia sonhei.
Aos poucos sim, me deliciando com cada vitória, curtindo cada momento, aprendendo com meus erros e buscando novos acertos.
Sem nunca desistir.

"No caminho havia uma pedra. Havia uma pedra no caminho..." 
eu sentei nela e repousei minha esperança no Senhor
Que é capaz de fazer tudo por aquele que Crer.

Então eu descansei e esperei o Tempo do Senhor.

imagem: http://bellaangelofdarkness.blogspot.com.br/2011/04/certas-coisas.html

terça-feira, 12 de junho de 2012

Feliz Dia 12 de Junho.


Bom dia Galerinha...

Acordei com vontade de escrever, então escrevi um texto para o dia de hoje, espero que gostem!!

******

Significado de Namorado: estar propício ao amor.

Dedico um feliz dia para todos! 
Dedico aos casados, 
Aos solteiros, 
Aos enrolados, 
Aos baladeiros.

Dedico esse dia a todos que acreditam no amor
Seja lá da maneira que for.

Àqueles que se deixam mover pelo lado direito do cérebro 
Pelo sentimento, pela emoção...

Dedico a todos que adoram curtir o vento no rosto, 
Um banho de chuva, pés descalços no chão, chá quente na noite...

Dedico aos sentimentais, aos românticos, aos sonhadores...
Dedico também aos brutos, porque da forma deles também amam.

Exercitar o verbo amar não está somente para o dia de hoje.
Não espere do outro para praticar o amar.
Ame a si mesmo, namore a si mesmo.
Namore a vida. Namore o dia, a noite, a chuva, o frio, a alegria, a tristeza...
Porque uma vida sem namorar é deixar de estar vivo.

Feliz Dia das pessoas Enamoradas somente pelo simples fato de EXISTIR.

Fernanda Berthoud

sexta-feira, 30 de março de 2012

Homenagem ao Centenário de Luiz Gonzaga

Anel de Doce

Fernanda Berthoud


O triângulo faz a marcação
Plim, é o som do compasso
Os pés arrastando no chão,
Seguindo os passos.

Segue o compasso do baião,
O cheiro no pescoço de perfume floral
Suor da paixão
Que envolve cada casal.

E o balanço pra lá e pra cá
No compasso do triângulo
Balancê, balancê,
Que faz a noite passar numa música
E o dia amanhecer...

E faz a Carolina pensar e querer
Que seu homem apenas lhe traga
Seu anel de doce ao som de Luiz Gonzaga...
“ela só quer, só pensa em namorar”.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

27 de Dezembro de 2011


27 de Dezembro...

o Sol não brilha mais forte,
os Pássaros não cantam mais alto
o Vento não assopra sereno,
o Dia não parece mais calmo.

as Crianças continuam brincando
os Velhos continuam sentados
as Mães continuam arrumando a casa
os Pais continuam trabalhando exaustos.

é um Dia comum
como o de Ontem
de antes de Ontem
de antes, de antes de ontem.

Salvo por uma coisa
Que permite total celebração
Gritos, sorriso e lágrimas de alegria
Abraços, beijos, sinceros de coração.

É o seu aniversário
Minha amiga, parceira, irmã
E por ser essa data tão festiva
Consegue linkar a tudo como um imã.

O Sol passa a brilhar mais
Os Pássaros cantam uma bela sinfonia
O Vento dança no ar
Na tranquilidade desse dia.

As crianças gritam na rua
Junto com os vovôs, a brincar
Mamãe e papai aproveitam esse momento
E em silêncio estão a namorar.

O dia de hoje se torna mágico
Pelo simples fato de comemorarmos
O seu Aniversário
Thaís, minha Thaísinha
Amiga, parceira, maninha
Já rimos, já choramos, já segredamos
Quantas e quantas vezes!
Nesse dia tão especial, quero te desejar toda a Felicidade que possa existir no mundo. Que nosso Deus possa te abençoar ainda mais, colocando em suas mãos toda a alegria, todos seus sonhos realizados, toda a força para suportar o insuportável, toda magia para encarar a dureza da vida, toda a bondade para encarar a maldade do mundo, toda a sobriedade para enfrentar as polêmicas, toda a sabedoria para resolver enigmas... e um dia.... bem distante... possamos nós duas estar sentadas e conversarmos sobre tudo isso, continuemos chorando, sorrindo e segredando, pela vida inteira.

Minha amiga.... Feliz Aniversário!

Espero que tenha gostado da poesia
Foi feita de improviso, cheia de erros, de rimas simplórias
Mas foi feita com o coração, com amor.

Te amo maninha

Beijos e mil Beijos

Ferrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
(Nanda Berthoud)

25 de Dezembro


Vinte e Cinco de Dezembro

Lá fora as pessoas estão dormindo
Passaram a noite inteira festejando o natal
Beberam, comeram, riram
Mas muitas até esquecendo o motivo real.
Nascimento
palavra tão linda
Significa "despertar para a vida"
E foi num dia desse, de um ano qualquer
Que Deus enviou você para os braços dessa vida
Despertando brilho nos olhos das pessoas que a viam
Despertando amor nos corações que lhe tocavam
Despertando afeto na vida das pessoas que lhe recebiam
Despertando Vida, nas vidas de quem lhe amavam.
Lilia
Que Deus te abençoe grandemente todos os dias de sua vida
Proporcione momentos únicos e sublimes,
Inesquecíveis no seu viver.
Que pessoas de coração bom estejam sempre ao seu redor
Contribuindo para a sua felicidade.
Agradeço muito a Deus por ter lhe conhecido,
Por ter permitido que você entrasse em nossas vidas
Por ter tornado minha cunhada, minha irmã e mais
Po ter conquistado a sua amizade
Parabéns amiga, cunhada e irmã
Feliz Aniversário!
Que muitas e muitas datas como essa possamos estar juntas.
Te amo!
Beijos
Nanda Berthoud

domingo, 4 de dezembro de 2011

Conto: Canção da Ziza

CANÇÃO DA ZIZA

Por Fernanda Berthoud
                Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá...” – Ziza passava o dia balbuciando esses versinhos, onde quer que ela estivesse: lavando roupa no rio, varrendo o terreiro, cuidando dos pintos ou no celeiro. Ziza se sentia íntima de Gonçalves, como se tivesse algum dia proseado cara a cara com ele. Apesar de somente saber esse trecho da famosa Canção, Ziza repetia e repetia sem hesitação.
                Ziza, uma mulher de vinte e poucos anos, com aparência de mais velha, de pele negra, como noite em eclipse e sem estrelas; olhos grandes, atentos e ariscos, mãos calejadas pelo tanto de afazeres diários, pés calçados com sandálias surradas e esgarçadas e dona de um enorme e belo sorriso. Não tinha tempo feio para Ziza. Acordava junto com o galo, fosse com chuva ou frio, estava sempre disposta e alegre, ora com suas cantorias, ora com o sabiá de Gonçalves em sua boca, o que não se via era Ziza em silêncio. Quando amanhecia, agradecia pelo dia. Ficava maravilhada em ouvir os pássaros a cantar no canteiro do quintal. Dava-se um vento, ou mesmo vendaval, corria a girar entre as roupas do varal.
               Quando não tinha mais afazeres na casa da patroa, sentava nas pedras lá do rio, num momento nada à toa, para admirar o pôr-do-sol e gritava:
                - “Meu Deus, que paisagem mais linda, que coisa mais boa!”. E saia agradecendo em voz alta, olhando para o céu, por viver nessa terra abençoada, cheia de cores e de flores, de céu azul, azulzinho e de noites estreladas, de chuva fina e refrescante e até mesmo descontroladas.
                Certo dia, incomodada pela alegria de Ziza, sua patroa estabeleceu que a negrinha não teria mais o direito de manifestar seu prazer em morar naquelas terras. Sua patroa era nascida na Alemanha, e em tempos de guerra veio morar no Brasil quando só tinha seis anos, mas os costumes e sua educação eram baseados em sua terra natal. Era fria, não demonstrava emoção e a alegria de Ziza já estava lhe fazendo mal.
                Ziza então, proibida de balbuciar “... minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá...”, passava a se sentir vazia e triste. Não podia elogiar o dia e nem a noite, nem as flores, nem a lua, nem as borboletas, nem nada, porque a patroa já olhava fulminante para a pobre solitária.
                Os dias foram passando. Ziza já parecia mais acabada, fora definhando, por ter que ficar calada. Até que chegou um dia, aliás, uma noite enluarada. Ziza foi para o terreiro, se deitou sobre folhas de bananeira, se enrolou todinha, ficando para fora somente seus olhos certeiros que encantados namoravam a lua grande e brilhosa, na imensidão de um céu negreiro.
                Ali, deitada e silenciosa resolveu criar com a ajuda de Gonçalves a sua própria Canção do Exílio:
                -“Selaram minha boca
                Elogiar eu não posso mais
                Minha terra, minhas flores
                Até mesmo os animais.
                A patroa vingativa
                Fria e calculista
                Selou a minha boca
                Elogiar eu não posso mais.
                Não permita, oh Deus, que eu morra
                Sem que eu possa bendizer
                Tudo que tem em minha terra
                Demonstrar meu bem querer
               Dê-me forças para falar
                E poder engrandecer
                O que há em minha terra
                O que me faz feliz viver.
                Selaram minha boca, oh Deus,
                Agora não tenho paz
                Elogiar a minha terra
                Elogiar, eu não posso mais”.
              Terminada sua canção, seus olhos foram se fechando, lentamente. Seu corpo que tremia pela emoção já não manifestava nenhuma reação. Sua última lembrança foi de rever seus pais dizendo que sentia saudades da terra pátria, mãe África, e dela correndo entre as flores do campo toda feliz porque a mãe dizia que ela era a pequena negra nascida em berço esplêndido da nossa pátria amada, Brasil.
                Caro leitor, Ziza não morreu naquele dia. Acordou depois desse sonho, toda determinada e contente, porque sabia que fazia parte da nossa gente, da nossa terra que tem palmeiras onde cantam alegremente os sabiás e desse dia em diante não haveria nenhuma pessoa que lhe fizesse calar.

** Créditos da Imagem: Pintura a Óleo de Cristina Rabello

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vento
Por Fernanda Berthoud



VAI A ONDA
VEM A NUVEM
CAI A FOLHA
QUEM SOPRA MEU NOME?

O VENTO QUE SOPRA MEU CORPO
BALANÇANDO E RODOPIANDO MEU CORAÇÃO
ALIMENTA A MINHA FOME.

VENTO, ME LEVE PARA OS QUATRO CANTOS DO MUNDO
COM PASSOS DE UMA DANÇA MANSA
QUERO CONHECÊ-LO, QUERO SENTI-LO
SUAVEMENTE,

VEM VENTO, SOPRA MEU NOME?