sexta-feira, 30 de março de 2012

Homenagem ao Centenário de Luiz Gonzaga

Anel de Doce

Fernanda Berthoud


O triângulo faz a marcação
Plim, é o som do compasso
Os pés arrastando no chão,
Seguindo os passos.

Segue o compasso do baião,
O cheiro no pescoço de perfume floral
Suor da paixão
Que envolve cada casal.

E o balanço pra lá e pra cá
No compasso do triângulo
Balancê, balancê,
Que faz a noite passar numa música
E o dia amanhecer...

E faz a Carolina pensar e querer
Que seu homem apenas lhe traga
Seu anel de doce ao som de Luiz Gonzaga...
“ela só quer, só pensa em namorar”.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

27 de Dezembro de 2011


27 de Dezembro...

o Sol não brilha mais forte,
os Pássaros não cantam mais alto
o Vento não assopra sereno,
o Dia não parece mais calmo.

as Crianças continuam brincando
os Velhos continuam sentados
as Mães continuam arrumando a casa
os Pais continuam trabalhando exaustos.

é um Dia comum
como o de Ontem
de antes de Ontem
de antes, de antes de ontem.

Salvo por uma coisa
Que permite total celebração
Gritos, sorriso e lágrimas de alegria
Abraços, beijos, sinceros de coração.

É o seu aniversário
Minha amiga, parceira, irmã
E por ser essa data tão festiva
Consegue linkar a tudo como um imã.

O Sol passa a brilhar mais
Os Pássaros cantam uma bela sinfonia
O Vento dança no ar
Na tranquilidade desse dia.

As crianças gritam na rua
Junto com os vovôs, a brincar
Mamãe e papai aproveitam esse momento
E em silêncio estão a namorar.

O dia de hoje se torna mágico
Pelo simples fato de comemorarmos
O seu Aniversário
Thaís, minha Thaísinha
Amiga, parceira, maninha
Já rimos, já choramos, já segredamos
Quantas e quantas vezes!
Nesse dia tão especial, quero te desejar toda a Felicidade que possa existir no mundo. Que nosso Deus possa te abençoar ainda mais, colocando em suas mãos toda a alegria, todos seus sonhos realizados, toda a força para suportar o insuportável, toda magia para encarar a dureza da vida, toda a bondade para encarar a maldade do mundo, toda a sobriedade para enfrentar as polêmicas, toda a sabedoria para resolver enigmas... e um dia.... bem distante... possamos nós duas estar sentadas e conversarmos sobre tudo isso, continuemos chorando, sorrindo e segredando, pela vida inteira.

Minha amiga.... Feliz Aniversário!

Espero que tenha gostado da poesia
Foi feita de improviso, cheia de erros, de rimas simplórias
Mas foi feita com o coração, com amor.

Te amo maninha

Beijos e mil Beijos

Ferrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
(Nanda Berthoud)

25 de Dezembro


Vinte e Cinco de Dezembro

Lá fora as pessoas estão dormindo
Passaram a noite inteira festejando o natal
Beberam, comeram, riram
Mas muitas até esquecendo o motivo real.
Nascimento
palavra tão linda
Significa "despertar para a vida"
E foi num dia desse, de um ano qualquer
Que Deus enviou você para os braços dessa vida
Despertando brilho nos olhos das pessoas que a viam
Despertando amor nos corações que lhe tocavam
Despertando afeto na vida das pessoas que lhe recebiam
Despertando Vida, nas vidas de quem lhe amavam.
Lilia
Que Deus te abençoe grandemente todos os dias de sua vida
Proporcione momentos únicos e sublimes,
Inesquecíveis no seu viver.
Que pessoas de coração bom estejam sempre ao seu redor
Contribuindo para a sua felicidade.
Agradeço muito a Deus por ter lhe conhecido,
Por ter permitido que você entrasse em nossas vidas
Por ter tornado minha cunhada, minha irmã e mais
Po ter conquistado a sua amizade
Parabéns amiga, cunhada e irmã
Feliz Aniversário!
Que muitas e muitas datas como essa possamos estar juntas.
Te amo!
Beijos
Nanda Berthoud

domingo, 4 de dezembro de 2011

Conto: Canção da Ziza

CANÇÃO DA ZIZA

Por Fernanda Berthoud
                Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá...” – Ziza passava o dia balbuciando esses versinhos, onde quer que ela estivesse: lavando roupa no rio, varrendo o terreiro, cuidando dos pintos ou no celeiro. Ziza se sentia íntima de Gonçalves, como se tivesse algum dia proseado cara a cara com ele. Apesar de somente saber esse trecho da famosa Canção, Ziza repetia e repetia sem hesitação.
                Ziza, uma mulher de vinte e poucos anos, com aparência de mais velha, de pele negra, como noite em eclipse e sem estrelas; olhos grandes, atentos e ariscos, mãos calejadas pelo tanto de afazeres diários, pés calçados com sandálias surradas e esgarçadas e dona de um enorme e belo sorriso. Não tinha tempo feio para Ziza. Acordava junto com o galo, fosse com chuva ou frio, estava sempre disposta e alegre, ora com suas cantorias, ora com o sabiá de Gonçalves em sua boca, o que não se via era Ziza em silêncio. Quando amanhecia, agradecia pelo dia. Ficava maravilhada em ouvir os pássaros a cantar no canteiro do quintal. Dava-se um vento, ou mesmo vendaval, corria a girar entre as roupas do varal.
               Quando não tinha mais afazeres na casa da patroa, sentava nas pedras lá do rio, num momento nada à toa, para admirar o pôr-do-sol e gritava:
                - “Meu Deus, que paisagem mais linda, que coisa mais boa!”. E saia agradecendo em voz alta, olhando para o céu, por viver nessa terra abençoada, cheia de cores e de flores, de céu azul, azulzinho e de noites estreladas, de chuva fina e refrescante e até mesmo descontroladas.
                Certo dia, incomodada pela alegria de Ziza, sua patroa estabeleceu que a negrinha não teria mais o direito de manifestar seu prazer em morar naquelas terras. Sua patroa era nascida na Alemanha, e em tempos de guerra veio morar no Brasil quando só tinha seis anos, mas os costumes e sua educação eram baseados em sua terra natal. Era fria, não demonstrava emoção e a alegria de Ziza já estava lhe fazendo mal.
                Ziza então, proibida de balbuciar “... minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá...”, passava a se sentir vazia e triste. Não podia elogiar o dia e nem a noite, nem as flores, nem a lua, nem as borboletas, nem nada, porque a patroa já olhava fulminante para a pobre solitária.
                Os dias foram passando. Ziza já parecia mais acabada, fora definhando, por ter que ficar calada. Até que chegou um dia, aliás, uma noite enluarada. Ziza foi para o terreiro, se deitou sobre folhas de bananeira, se enrolou todinha, ficando para fora somente seus olhos certeiros que encantados namoravam a lua grande e brilhosa, na imensidão de um céu negreiro.
                Ali, deitada e silenciosa resolveu criar com a ajuda de Gonçalves a sua própria Canção do Exílio:
                -“Selaram minha boca
                Elogiar eu não posso mais
                Minha terra, minhas flores
                Até mesmo os animais.
                A patroa vingativa
                Fria e calculista
                Selou a minha boca
                Elogiar eu não posso mais.
                Não permita, oh Deus, que eu morra
                Sem que eu possa bendizer
                Tudo que tem em minha terra
                Demonstrar meu bem querer
               Dê-me forças para falar
                E poder engrandecer
                O que há em minha terra
                O que me faz feliz viver.
                Selaram minha boca, oh Deus,
                Agora não tenho paz
                Elogiar a minha terra
                Elogiar, eu não posso mais”.
              Terminada sua canção, seus olhos foram se fechando, lentamente. Seu corpo que tremia pela emoção já não manifestava nenhuma reação. Sua última lembrança foi de rever seus pais dizendo que sentia saudades da terra pátria, mãe África, e dela correndo entre as flores do campo toda feliz porque a mãe dizia que ela era a pequena negra nascida em berço esplêndido da nossa pátria amada, Brasil.
                Caro leitor, Ziza não morreu naquele dia. Acordou depois desse sonho, toda determinada e contente, porque sabia que fazia parte da nossa gente, da nossa terra que tem palmeiras onde cantam alegremente os sabiás e desse dia em diante não haveria nenhuma pessoa que lhe fizesse calar.

** Créditos da Imagem: Pintura a Óleo de Cristina Rabello

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vento
Por Fernanda Berthoud



VAI A ONDA
VEM A NUVEM
CAI A FOLHA
QUEM SOPRA MEU NOME?

O VENTO QUE SOPRA MEU CORPO
BALANÇANDO E RODOPIANDO MEU CORAÇÃO
ALIMENTA A MINHA FOME.

VENTO, ME LEVE PARA OS QUATRO CANTOS DO MUNDO
COM PASSOS DE UMA DANÇA MANSA
QUERO CONHECÊ-LO, QUERO SENTI-LO
SUAVEMENTE,

VEM VENTO, SOPRA MEU NOME?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ai, que preguicinha...



Poema: Quarta-Feira - Fernanda Berthoud - 09/11/2011


Quarta-Feira...
Ai que preguicinha,
Estica os braços, pernas, corpo
Inclina a cabecinha
de um lado para o outro
Fazendo ginastiquinha.
Acorda corpo danado
É preciso levantar
O dia está lindo lá fora
E está querendo te abraçar.
Força, ânimo, saia dessa cama
Você precisa trabalhar
O relógio não espera
Você vai se atrasar
Acorda corpo danado
E pare de enrolar.
Hoje é Quarta-Feira
Meio de semana
Contagem regressiva
Pra ficar mais tempo na cama.
Por isso não desanime,
Corpo preguiçoso,
Levante sem demora
E tome um banho gostoso.
Sentirás revigorado
Pronto, disposto
Para encarar essa Quarta-Feira
Com muito mais gosto.
Ai que preguicinha....

 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Lápis Bailarino

O Lápis Bailarino

(por Fernanda Berthoud)


O lápis pôs a ponta numa folha branca,
Bem branquinha.
E numa dança foi bailando
Suavemente entrelinhas.
Não sabia o que registrar
Nem preocupado estaria
Estava ali para bailar
E fazia com maestria.
Entre um deslize e outro
Algo mágico aconteceu...
Uma palavra foi desenhada,
Uma palavra o lápis escreveu.
- Eu sei escrever! Gritou feliz o lápis,
Diante daquela situação.
- Não sou apenas bailarino,
Agora sou escritor do coração!
De hora em diante o lápis bailarino
Dedicou-se a esta nova missão
Escreveu vários poemas
Como este que está em suas mãos!

 (Criado em: 25/10/2011)